{"id":3965,"date":"2025-08-12T17:58:16","date_gmt":"2025-08-12T23:58:16","guid":{"rendered":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/?p=3965"},"modified":"2025-08-12T18:18:28","modified_gmt":"2025-08-13T00:18:28","slug":"cuidar-en-colectivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/ninaspoderosas\/cuidar-en-colectivo\/","title":{"rendered":"Cuidado coletivo: Meninas Poderosas defendem o estabelecimento de um sistema equitativo e sustent\u00e1vel que inclua o di\u00e1logo intergeracional."},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">\u2013 O di\u00e1logo intergeracional \u00e9 um eixo essencial para evitar que meninas, adolescentes e mulheres jovens herdem automaticamente o fardo do cuidado e para quebrar o ciclo de desigualdade que historicamente persiste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>12 de agosto de 2025.<\/em> Antes de realizar o <strong><em>XVI Confer\u00eancia Regional sobre Mulheres na Am\u00e9rica Latina e no Caribe<\/em><\/strong>, Na confer\u00eancia que ser\u00e1 realizada na Cidade do M\u00e9xico de 12 a 15 de agosto, foi criado um espa\u00e7o de di\u00e1logo e reflex\u00e3o intergeracional onde Meninas Poderosas e Mulheres Empoderadas* compartilharam experi\u00eancias e propostas sobre o trabalho de cuidado e seu impacto na igualdade de g\u00eanero. Este encontro visa amplificar as vozes de adolescentes e jovens sobre este tema, para que sejam consideradas nas discuss\u00f5es e nos acordos que ser\u00e3o adotados na Confer\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este f\u00f3rum abordou as profundas desigualdades de g\u00eanero nas responsabilidades de cuidado e apresentou propostas concretas para avan\u00e7ar rumo \u00e0 responsabilidade compartilhada e \u00e0 equidade. O encontro virtual reuniu experi\u00eancias e perspectivas de diversos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, destacando um problema que afeta meninas, adolescentes e mulheres, e impacta diretamente suas oportunidades de desenvolvimento, sa\u00fade f\u00edsica e mental, e participa\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os participantes concordaram que, na Am\u00e9rica Central, e particularmente em \u00e1reas rurais, meninas e adolescentes assumem responsabilidades de cuidado inadequadas para sua idade. Isso inclui cuidar de irm\u00e3os mais novos, acompanhar pessoas doentes ou idosas e realizar tarefas dom\u00e9sticas que deveriam ser compartilhadas por todos os membros da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa sobrecarga de trabalho tem consequ\u00eancias profundas: muitas meninas s\u00e3o privadas da frequ\u00eancia escolar devido a essas responsabilidades, enquanto os meninos t\u00eam prioridade na educa\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es econ\u00f4micas e devido \u00e0 persist\u00eancia de estere\u00f3tipos de g\u00eanero que atribuem \u00e0s mulheres o papel principal de cuidadoras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a inf\u00e2ncia, esses pap\u00e9is s\u00e3o refor\u00e7ados, por exemplo, por meio da distribui\u00e7\u00e3o de diferentes brinquedos e atividades: as meninas recebem cozinhas de brinquedo e bonecas, enquanto os meninos recebem ferramentas e carrinhos. Essa pr\u00e1tica n\u00e3o s\u00f3 normaliza a divis\u00e3o desigual do trabalho, como tamb\u00e9m molda as aspira\u00e7\u00f5es e escolhas de carreira futuras, reduzindo a representa\u00e7\u00e3o feminina em \u00e1reas como ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica (STEM) e concentrando sua participa\u00e7\u00e3o em ocupa\u00e7\u00f5es tradicionalmente associadas ao cuidado, como o magist\u00e9rio ou a enfermagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ficou evidente que a sobrecarga de tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado limita severamente o tempo que meninas e adolescentes t\u00eam para estudar, brincar ou participar de atividades recreativas. Exemplos espec\u00edficos mostram que, na Guatemala, muitas meninas enfrentam tarefas dom\u00e9sticas al\u00e9m dos estudos, o que leva \u00e0 exaust\u00e3o e ao baixo rendimento acad\u00eamico. Em El Salvador, algumas meninas precisam abandonar a escola para levar comida para o campo ou realizar tarefas dom\u00e9sticas, interrompendo sua educa\u00e7\u00e3o \u2014 uma tarefa n\u00e3o atribu\u00edda aos meninos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dados da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) indicam que 76,21% do trabalho n\u00e3o remunerado \u00e9 realizado por mulheres, mais que o dobro do tempo que os homens dedicam a essa atividade. Essa realidade n\u00e3o s\u00f3 restringe as oportunidades de desenvolvimento de meninas e adolescentes, como tamb\u00e9m impacta sua sa\u00fade mental, causando exaust\u00e3o, ansiedade e depress\u00e3o, al\u00e9m de limitar seus sonhos e planos de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O di\u00e1logo destacou que os estere\u00f3tipos de g\u00eanero influenciam decisivamente as escolhas de carreira e as oportunidades de emprego. Em ambientes acad\u00eamicos tradicionalmente dominados por homens, como a engenharia, as mulheres enfrentam coment\u00e1rios e atitudes desencorajadoras que refor\u00e7am sua exclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a inf\u00e2ncia, as expectativas e mensagens da sociedade moldam as aspira\u00e7\u00f5es: enquanto as meninas s\u00e3o preparadas para pap\u00e9is de cuidadoras, os meninos s\u00e3o incentivados a seguir carreiras t\u00e9cnicas ou cient\u00edficas. Esse vi\u00e9s perpetua a segrega\u00e7\u00e3o ocupacional e contribui para a desigualdade salarial e previdenci\u00e1ria, visto que as ocupa\u00e7\u00f5es de cuidado geralmente s\u00e3o menos remuneradas e menos valorizadas em termos econ\u00f4micos e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um tema central da conversa foi a necessidade de estabelecer sistemas de sa\u00fade abrangentes que redistribuam equitativamente as responsabilidades entre homens e mulheres. Reconheceu-se que, apesar dos progressos em alguns pa\u00edses, ainda h\u00e1 muito a ser feito para garantir o acesso universal, inclusivo e sustent\u00e1vel aos servi\u00e7os de sa\u00fade, e que isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se meninas, adolescentes e mulheres jovens forem inclu\u00eddas nesses sistemas a partir de hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso do M\u00e9xico ilustra o peso econ\u00f4mico desse setor: o trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado representa 26,1% do PIB, superando setores-chave como o industrial e o tur\u00edstico. Estudos indicam que investir em sistemas de cuidado poderia aumentar a participa\u00e7\u00e3o feminina na for\u00e7a de trabalho em 12,1%. Tamb\u00e9m foi mencionado que, na Argentina, os homens t\u00eam direito a apenas dois dias de licen\u00e7a-paternidade, o que dificulta a responsabilidade compartilhada desde a primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi enfatizado que incluir meninas e adolescentes nas decis\u00f5es sobre cuidados \u00e9 crucial, visto que muitas vivenciam essa realidade em primeira m\u00e3o e oferecem perspectivas valiosas para o desenvolvimento de pol\u00edticas e programas. Respeitar o direito delas \u00e0 inf\u00e2ncia significa evitar que sejam sobrecarregadas com a responsabilidade de cuidar de outros membros da fam\u00edlia, o que pode limitar seu desenvolvimento pessoal, educacional e social.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, foi enfatizada a necessidade de criar espa\u00e7os seguros e acess\u00edveis onde meninas e adolescentes possam compartilhar suas experi\u00eancias e participar ativamente das decis\u00f5es que afetam suas vidas, tanto no ambiente familiar quanto na escola e na comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As propostas resultantes dessas reflex\u00f5es destacaram medidas para os Estados, as comunidades e as fam\u00edlias:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Promover a alfabetiza\u00e7\u00e3o digital<\/strong>Facilitar o acesso de mulheres e meninas \u00e0s tecnologias, especialmente em comunidades rurais, para ampliar suas oportunidades de emprego, educa\u00e7\u00e3o e redes de apoio.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"2\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Espa\u00e7os de cuidado em empresas e escolas:<\/strong> Implementar creches e centros de cuidados infantis que facilitem o equil\u00edbrio entre vida profissional e pessoal, educa\u00e7\u00e3o e responsabilidades familiares. Sugere-se considerar experi\u00eancias anteriores, como... <em>Creche Lullaby<\/em>, Implementado recentemente em munic\u00edpios da Col\u00f4mbia, este programa oferece atendimento integral a crian\u00e7as por meio de creches noturnas, permitindo que m\u00e3es e pais que estudam ou trabalham \u00e0 noite se dediquem a outras atividades de desenvolvimento pessoal, educacional ou profissional.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Campanhas educativas desde a inf\u00e2ncia<\/strong>Promover a distribui\u00e7\u00e3o equitativa das tarefas de cuidado entre homens e mulheres, combatendo estere\u00f3tipos e pr\u00e1ticas culturais que perpetuam a desigualdade.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"4\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Apoio psicol\u00f3gico e recreativo<\/strong>Desenvolver programas de bem-estar emocional e atividades recreativas para aqueles que realizam trabalhos de cuidado, ajudando a prevenir a s\u00edndrome de burnout e a fortalecer sua qualidade de vida.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"5\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Reconhecimento econ\u00f4mico do cuidado<\/strong>Garantir que os cuidadores recebam uma remunera\u00e7\u00e3o justa e tenham acesso aos direitos trabalhistas e de seguridade social.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<ol start=\"6\" class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Promover espa\u00e7os para uma parentalidade positiva em grupo: <\/strong>Desenvolver programas comunit\u00e1rios onde m\u00e3es, pais e cuidadores possam aprender estrat\u00e9gias parentais positivas, receber apoio emocional e compartilhar experi\u00eancias em um ambiente de apoio m\u00fatuo, fortalecendo assim o tecido comunit\u00e1rio e o bem-estar familiar.<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No \u00e2mbito familiar e comunit\u00e1rio, a proposta era promover uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa das tarefas dom\u00e9sticas desde a inf\u00e2ncia, criar centros de acolhimento comunit\u00e1rios, promover oficinas escolares, fomentar c\u00edrculos de apoio emocional e recuperar conhecimentos ancestrais que fortale\u00e7am a rede social de cuidados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta conversa reafirma que a constru\u00e7\u00e3o de um sistema de cuidados equitativo n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de justi\u00e7a social e de g\u00eanero, mas tamb\u00e9m um investimento estrat\u00e9gico para o desenvolvimento sustent\u00e1vel da regi\u00e3o. A transforma\u00e7\u00e3o exige vontade pol\u00edtica, mudan\u00e7as culturais e a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que reconhe\u00e7am, redistribuam e remunerem de forma justa o trabalho de cuidado, garantindo assim um futuro com igualdade de oportunidades para todos. Ressalta-se tamb\u00e9m a import\u00e2ncia do di\u00e1logo intergeracional e de garantir que meninas, adolescentes e mulheres jovens participem ativamente dessas conversas, pois sua inclus\u00e3o \u00e9 essencial para evitar que herdem automaticamente o fardo do cuidado e para romper o ciclo de desigualdade que historicamente persiste.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">oOo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">*Mulheres integrantes das Organiza\u00e7\u00f5es Promotoras de Meninas Poderosas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contato de imprensa: Ver\u00f3nica Morales comunicacion@tejiendoredesinfancia.org<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8211; El di\u00e1logo intergeneracional es un eje indispensable para evitar que ni\u00f1as, adolescentes y mujeres j\u00f3venes hereden autom\u00e1ticamente la carga de cuidados y para romper el<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3966,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[9,18],"tags":[214,165,215],"class_list":["post-3965","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ninaspoderosas","category-sala-de-prensa","tag-conectadasporelcambio","tag-ninaspoderosas","tag-xviconferenciamujeralc"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3965"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3965\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3969,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3965\/revisions\/3969"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/tejiendoredesinfancia.org\/pt_br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}